terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Olhos que riem

Hoje tive uma daquelas que pode bem vir a ser a minha cadeira preferida este ano (estranho isto de chamarmos "cadeiras" às disciplinas na faculdade, não é? Tenho de ver se investigo de onde vem esta denominação...). Já é a terceira aula e a disciplina acaba por tornar-se fantástica porque a professora é uma daquelas raras professoras que tem um verdadeiro gosto e prazer em dar aulas. E por isso mesmo torna as aulas numa tertúlia hipnotizante em que somos levados pelas suas palavras e damos por nós quase a dançar com a cabeça e olhos, de boca semi-aberta a beber cada gotinha de conhecimento que ela nos transmite. É uma verdadeira delícia! Adoro professores assim e já há muitos anos que não me acontecia encontrar um professor tão eloquente. 

Por isso mesmo hoje não pude fazer outra coisa senão sorrir e corar (não com vergonha mas com a nítida sensação de ter sido "apanhada" em flagrante) quando uma colega mais velha, com a qual ainda não tinha tido oportunidade de falar, quando me viu sorriu e perguntou "Tu gostas muito desta aula, não gostas?". Pois é, algo me denunciou! A colega disse, muito contente (pois já havia sido aluna desta professora noutra cadeira) que realmente esta professora era fenomenal, que dava um gozo absurdo assistir às suas aulas e tornava-se quase impossível não sairmos de lá embevecidos e completamente apaixonados pela literatura. E como ela se sentava nas mesas da frente e a professora "passeia" muito pela aula, gesticulando e declamando versos que parece trazer escondidos debaixo da língua (num esconderijo sem fim), ela reparava muitas vezes que os colegas estavam quase sempre boquiabertos a ouvi-la, completamente captivos das suas palavras, e que tinha reparado particularmente em mim porque eu sorria com o olhar e apresentava uma expressão de pleno deleite durante toda a aula.

Gosto tanto dessa ideia de sorrir com o olhar... E a expressão não podia ser mais perfeita tendo em conta o que aconteceu a seguir. Finalmente (prima, FINALMENTE) tenho um rapaz giro na minha turma!! Quer dizer pelo menos àquela disciplina... Não desfazendo os outros (tenho colegas que adoro, já desde o semestre passado, e alguns até têm a sua pinta), mas este... Humm... É que é precisamente isso: olhos que riem. Ele tem um sorriso lindo e doce e quando sorri... os olhos riem! Há tanto tempo que não encontrava essa característica (que adoro) num rapaz!

Não, não falei com ele e sim, sei o nome dele porque simplesmente outros colegas que já o conheciam falaram com ele. E não, não tenciono falar com ele brevemente. 

Deixa-me saborear, no anonimato, aquele sorriso doce e aqueles olhos que riem...

Beijinho,
A.R.


P.S.: E, no entretanto, consegues fazer com que pare de chover?

Este ferido de guerra encontrei-o hoje na rua e não resisti...

2 comentários:

aloucura disse...

tem algo a ver com a cadeira do professor, vem da idade média.

encontrei esta resposta:

Cadeira é a forma vulgar aportuguesada do latim cathedra, ou simplesmente aportuguesado "cátedra".
http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A1tedr…

O móvel cadeira recebeu esse nome por associação com os quadris, chamados cadeiras. Nesse objeto para sentar nós pomos as cadeiras.
Daí vem o sentido universitário de cátedra (assento do professor) e catedral (lugar onde se senta oficialmente o bispo) - nada a ver com as cadeiras dos fiéis no templo.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Catedral

Nas universidades tradicionais, os professores organizam-se em cátedras, hoje em dia equipes onde o chefe é o mais graduado: ele é que ocupa a cadeira principal.

A.R./A.T. disse...

Obrigada! :)

A parte do objecto vs quadris/cadeiras eu já tinha associado, a parte das cadeiras/disciplinas é que me despertava mais curiosidade. Verdade seja dita, também nunca cheguei a pesquisar... É daquelas coisas que dizemos e depois ficamos com a palavra ali a dançar na boca a tentar encontrar um sentido... E a pergunta acaba por sair em voz alta sem que tenhamos pensado muito a fundo sobre isso.

Mas agora quando me referir a alguma cadeira da faculdade ou a algum professor catedrático a partir de agora vou fazê-lo agradavelmente com conhecimento de causa. Mais uma vez, obrigada! ;)

A.R.